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Radio Nederland Wereldomroep March 05, 2003

A guerra real começou

By Carlos Lagoeiro

A guerra real já começou e não é de agora. Segundo François Boo, especialista de defesa dos Estados Unidos, Washington e Londres intensificaram nos últimos meses, não apenas a presença de suas tropas na região do Golfo, mas, também, os bombardeamentos de posições iraquianas na zona de interdição imposta pela ONU, logo após a primeira guerra do Golfo, há 12 anos.

Em nome de exercitar pressão sobre Saddam Hussein e sobre os céticos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha cercaram praticamente o Iraque, enviando para a região mais de 300 mil soldados, inúmeros navios de guerra e os seus aviões de combate mais modernos. Para o especialista em defesa da Globalsecurity.org, François Boo, ouvido pelo jornal holandês De Volkskrant, a guerra já está em uma fase avançada, apesar do Conselho de Segurança ainda não ter-se proferido definitivamente sobre a questão.

Por a mais b

Os Estados Unidos trabalham de forma a realizarem sua missão militar o mais eficiente possível. E, levando em consideração um veto de um ou mais membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou de não conseguir o mínimo de Nove votos necessários, entre os 15 países que formam parte do Conselho da ONU, Washington se prepara para uma permanência prolongada na região. O mais importante na estratégia do Pentágono é eliminar, o mais rápido possível, o ditador iraquiano e seus colaboradores mais próximos, da cena política internacional, colocando em seu lugar, membros da oposição iraquiana, que vivem no exílio. Seguindo este raciocínio, há muito deixou de ser importante, para Londres e Washington, que o Iraque prove por a mais b estar colaborando com os inspetores de desarmamento ou que os membros permanentes do Conselho de Segurança exercitem seus direitos a veto contra uma invasão militar no Iraque.

Fait accompli

Em relação à estratégia norte-americana não parece haver muitas dúvidas. Hoje, em Moscou, a diplomacia russa declarou que uma operação militar da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, contra o Iraque, é muito provável. A França, a Alemanha e a Rússia se reúnem hoje em Paris para debaterem a situação iraquiana e discutirem os próximos movimentos no campo diplomático. Mas, a questão é saber se ainda há o que fazer para impedir a guerra. A medida em que o Iraque se mostra mais aberto a colaborar com os inspetores, destruindo armamentos ou fornecendo informações importantes, e a medida em que cresce a oposição à guerra, Washington responde reforçando ainda mais seu poderio bélico na região. É a estratégia do fait accompli, ou seja, do fato consumado. Washington acredita que todo este berreiro provocado pela proximidade da guerra vai ser abafado, no momento em que Saddam Hussein desaparecer para sempre da cena internacional.


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